segunda-feira, 23 de novembro de 2009

MANGÁ E CULTURA POP JAPONESA NO ANGLO DE ILHA SOLTEIRA

No dia 2 de dezembro, irei apresentar uma palestra sobre mangá e cultura pop japonesa no Colégio Anglo ISA (Ilha Solteira). O assunto tem sido presença constante em minha carreira e certamente é o tema que eu mais apresentei em palestras pelo Brasil.

A atividade é aberta ao público em geral e o convite se estende também aos moradores de Andradina, Pereira Barreto, Itapura, Suzanópolis e demais municípios da região.

Conteúdo:
- As origens do mangá e sua explosão como meio de comunicação de massa. 
- A presença do mangá no Brasil e a produção do mangá brasileiro, incluindo as diferenças entre os mercados dos dois países.
- Características e peculiaridades do estilo de quadrinhos mais popular do mundo.
- O Japão como um centro produtor de cultura pop, fazendo de termos como animê, mangá, otaku, J-Pop, tokusatsu e cosplay palavras recorrentes no vocabulário de milhões de jovens no mundo inteiro.
Duração: aprox. 90 min.

Serviço:
PALESTRA - MANGÁ E CULTURA POP JAPONESA
Data:
2 de dezembro (quarta)
Horário: 19h00

- Entrada franca
Local: Anglo ISA
Endereço: Alameda Bahia, 490 - A - Ilha Solteira /SP - CEP: 15.385-000 
Fone: (18) 3742 2350

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Antes, no dia 30 de novembro, darei uma palestra aos alunos do Anglo Ilha Solteira. A palestra terá como tema a profissão de desenhista. Nela, irei falar sobre como aqueles alunos interessados em desenho podem buscar uma opção de carreira. Será uma abordagem semelhante à apresentada no começo do ano, no evento Animepan, de Recife (PE). Como será uma palestra fechada, estou apenas comentando no blog.

domingo, 22 de novembro de 2009

PRÊMIO ANGELO AGOSTINI E OS MESTRES DO QUADRINHO NACIONAL


A AQC-ESP (Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo) iniciou o processo de votação para escolher os melhores do quadrinho nacional deste ano. É o Prêmio Angelo Agostini, bastante tradicional e respeitado entre os profissionais do meio. Envio meus votos anualmente e já tive a honra de entregar o troféu a alguns homenageados em diversas ocasiões (apesar de nunca ter ganho nada...).

Porém, tenho lido muito pouca coisa de HQ e menos ainda de HQ nacional. Até pensei em votar pra ajudar alguns amigos, mas não ia ser algo muito honesto da minha parte. Se não li material suficiente pra formar opinião, pra ter parâmetros, melhor nem tentar.

Já na categoria Mestres do Quadrinho Nacional, devem ser escolhidos três veteranos que tenham contribuído para os quadrinhos brasileiros. A lista, publicada para refrescar a memória, não me deixou dúvidas.

MEUS VOTOS PARA MESTRES DO QUADRINHO NACIONAL

Franco de Rosa - Em 1982, vi incrédulo na banca um gibi chamado Robô Gigante, co-estrelado por Ultraboy. Apesar da semelhança óbvia com heróis japoneses, eram criações nacionais que pegavam carona na popularidade de outros personagens. Ultraboy tinha desenhos do Franco. Anos depois, comecei a ler suas atérias sobre HQ na Folha da Tarde. Toda semana, eu comprava a FT só pra ver a coluna do Franco (claro que depois eu lia o resto). Eu me deliciava em ler sobre a diversidade de quadrinhos que ele divulgava com textos que eu relia diversas vezes, o que sem dúvida influenciou meu trabalho como escritor. Tive algumas poucas chances de trabalhar com ele e o considero um grande sujeito.

Ataide Braz - Lá pelo final dos anos 80, comprei o Drácula de Ataide Braz (roteiro) e Neide Harue (arte), da Ed. Sampa. Da mesma dupla, também li Skorpion. Historias ágeis e descomprometidas, com bastante ação e toques de erotismo. Eram trabalhos de estética mangá, quando não se achava nada parecido nas bancas. Aliás, Neide Harue também deveria ser indicada, como uma pioneira entre autoras de mangá brasileiras. O trabalho da dupla não chegou a me influenciar tecnicamente, mas foi uma grande inspiração.

Eduardo Vetillo - Eu era um grande fã do seriado Spectreman, exibido na TV Record e posteriormente no SBT. E no comecinho dos anos 80, a Bloch publicava um gibi nacional com as aventuras do intrépido defensor do meio ambiente e combatente de monstros gigantes. A arte era de Eduardo Vetillo, que também publicava no gibi dos Trapalhões, um programa que eu também adorava. Eu achava engraçado que algumas cenas de personagens caindo meio desajeitadamente (fosse o Mussum ou o próprio Spectreman) entregavam quem era o desenhista, mesmo que o estilo geral usado fosse bem diferente. A expressão corporal dinâmica que ele usava entregavam a origem dos traços e eu achava tudo muito divertido.

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Eu sei que declarando assim meus votos estou sendo tendencioso. Mas, ora bolas, todo texto é tendencioso. Este aqui é assumido.

O criterio que usei para escolher os três veteranos não se baseia somente no reconhecimento da importância deles na construção da História dos quadrinhos no Brasil. Meu criterio aqui foi emocional. Quando eu era garoto e via os nomes deles em revistas, eu não estava apenas esperando uma leitura divertida. Eu estava me enchendo de sonhos e esperanças.

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Veja como enviar seus votos no site Bigorna.net ou clique aqui.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

CLIPE MUSICAL: IN MY LIFE (RIN')


Em janeiro de 2008, um evento em São Paulo, capital, abriu as comemorações oficiais do ano do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Em um evento somente para convidados, músicos brasileiros e japoneses criaram momentos de pura magia. Tive a honra de estar entre os felizes convidados e foi lá que eu descobri o grupo japonês Rin'


Um jovem trio feminino que se utiliza de instrumentos japoneses com suaves acordes dissonantes, o Rin' faz uma estilosa releitura de músicas tradicionais. 

Recentemente, descobri uma raridade do grupo no Youtube. Trata-se da participação delas em um tributo ao ex-Beatle John Lennon. Na ocasião, registraram uma interpretação hipnótica e irresistível de In My Life, uma das mais belas composições escritas por Lennon.

A música foi gravada pelos Fab Four em 1965 para o álbum Rubber Soul. Sem querer apenas tocar a canção com instrumentos japoneses, mas também dando seu toque pessoal em cada momento, a versão do Rin' é encantadora e poderia ter agradado muito ao próprio Lennon. Assim como eu espero que agrade a você. Divirta-se.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

ARTISTAS E CLIENTES

Aqui vai uma dica de leitura para ilustradores, designers, desenhistas e artistas em geral. Já postei no Twitter, mas como lá a informação é muito efêmera, resolvi reforçar aqui no blog.

É um texto assinado pelo artista Morandini onde ele expõe aquele velho problema de muitas pessoas não saberem valorizar ou não entenderem o valor de um trabalho artístico. A rapidez vira argumento ("pô, você desenha rapidinho..."), a divulgação vira argumento ("vou indicar você pra quem eu puder") e por aí vai. O texto resume muito bem as situações. Mas o melhor ficou para o final. Um vídeo absolutamente hilário chamado "Designers vs Clientes". Apresenta situações de cotidiano em que clientes usam com um garçom, um balconista de loja e um cabeleireiro os mesmos argumentos que geralmente usam com ilustradores, desenhistas e artistas em geral.

A dica foi do meu ex-aluno Leonardo Obara. Divirta-se!


E se você quiser assistir direto ao vídeo porque já leu muito sobre esse assunto aqui no Sushi POP, confira abaixo. É rir pra não chorar.




Leia também:
Divulgação x Trabalho

Dando aquela força

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

DESAFIOS DE UM DESENHISTA

Novamente, abro espaço aqui no blog para um autor convidado. De volta ao Sushi POP, o veterano e premiado quadrinhista Arthur Garcia assina um belo texto sobre os desafios da profissão. Para ler e se inspirar.

O CAMINHO DAS PEDRAS

Há muitos anos, dois jovens iniciantes ansiavam por criar histórias em quadrinhos de aventura, contudo, a maioria das revistas e ilustrações de então eram destinadas ao público infantil. Desanimado, um dos amigos decidiu-se por seguir uma outra carreira; já o outro, porém, desejando se tornar desenhista, buscou um emprego como assistente de um famoso artista da época, e aprendeu as técnicas da ilustração infantil.  


Alguns anos se passaram e, ainda ansiando criar histórias de aventura, o jovem assistente encontrou trabalho em uma agência de publicidade, não mais como assistente, mas como ilustrador e layout man. Ainda não era o que desejava, mas aceitou o desafio e aprendeu sobre composição, montagem, processos gráficos, etc.

Pouco tempo depois, surgiram propostas para que ele voltasse ao campo editorial e se encarregasse dos desenhos de vários quadrinhos infantis. Claro que o desenhista desejava trabalhar com histórias de aventuras, mas amando o mundo das HQs, ele não poderia recusar as propostas, e lá se foi para mais esta empreitada.

Mas o mundo dá voltas e, como ele, o mercado editorial também tem os seus ciclos. Anos depois, o gênero de aventura florescia e o nosso artista, já um profissional conhecido, era chamado para exercer o seu ofício no campo que desejava. Havia passado por vários estilos e gêneros durante os anos anteriores e o que mais o surpreendia é que, agora, se deliciava com todos. Percebeu que se um dia o mercado desse outra virada, não seria para ele uma decepção, mas sim um desafio.

Se eu conto esta história é para que todos tenham em mente que, quanto mais completos forem como artistas maior será o prazer que conseguirão retirar dos seus trabalhos. Treinem todos os gêneros de desenho e estejam abertos a todas as propostas profissionais, assim como o grande mestre Osamu Tezuka, que desenhou mangás de aventura, infantis e para garotas. 


Ah! É claro que a história acima é a minha história. E aquele meu amigo que desistiu do desenho também acabou encontrando a felicidade... como DJ.


Arthur Garcia

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

PATRULHA ESTELAR E ULTRAMAN SE ENFRENTAM NOS CINEMAS JAPONESES


Depois de muito tempo sem postar nada no portal Omelete, resolvi mandar duas notas em sequência. Já fui colaborador atuante, mas ultimamente, a falta de tempo e interesse me afastaram dessa atividade. 

Porém, com dois assuntos - Patrulha Estelar e Ultraman - de que gosto com novidades interessantes, resolvi escrever. Ambas as séries irão estrear novos filmes para cinema no dia 12 de dezembro. Como se fosse pouco, ainda há o novo filme da franquia Kamen Rider. Na verdade, são dois especiais de cinema exibidos juntos, e não um filme só.

No meio dos fãs, são notícias velhas, mas para o público geral ou "normal", poderiam interessar bastante. Escrevi colocando a informação num contexto geral, mais para situar o leitor do Omelete no que está acontecendo com duas das mais importantes sagas da cultura pop japonesa.



Primeiro, foi uma nota publicada no dia 9 sobre o mais recente longa da Patrulha Estelar. Se ainda não viu, leia a nota abaixo antes de prosseguir:




A outra nota, que entrou dia 12, fala sobre a franquia Ultra, que continua uma marca bastante forte e conhecida no Japão. Agora sob a distribuição da poderosa Warner Bros, o estúdio Tsuburaya caprichou num filme digno de cinema.




Agora, no blog, posso usar uma linguagem mais pessoal e tentar me comunicar com um público mais hardcore, mais especializado mesmo. Dentro da cultura pop japonesa, são dois dos meus títulos favoritos e me dou o direito agora de jogar uma conversa fora.


REFLEXÕES SOBRE A NOVA PATRULHA ESTELAR



Claro que, como grande curtidor do Yamato, vou conferir a nova aventura em DVD, assim que sair. Achei uma pena o Leiji Matsumoto ter ficado de fora por causa da briga judicial envolvendo direitos autorais com o produtor Yoshinobu Nishizaki. Felizmente, o design que ele criou para o Yamato foi mantido. Teria sido uma heresia terem mudado. Aliás, já mudaram uma vez, na infame série para vídeo Yamato 2520, lançada na década passada. Foi um fiasco, apesar do visual do conceituado Syd Mead.



Voltando ao novo Yamato, apesar de vídeos de fãs estarem circulando com a música clássica (um dos quais foi pescado no Omelete), haverá uma nova trilha, especialmente uma nova canção-tema. A inglória tarefa de ocupar o lugar de uma das mais emblemáticas músicas de uma série coube ao grupo The Alfee. Veteranos do J-pop, não há dúvida de que eles poderão fazer um grande trabalho. Mas pra mim, será uma pena não ouvir a voz de Isao Sasaki cantando a empolgante música-tema.


Pelo que vi dos créditos, o tema original será tocado em algum momento, pois há a menção ao nome do compositor e maestro Hiroshi Miyagawa como autor da trilha original. Talvez façam semelhante ao que o diretor Brian Singer fez no filme Superman - O Retorno, que apresentou, levemente modificado, o tema original dos anos 70 para não desapontar os fãs. 

A história irá mostrar alguns personagens envelhecidos, mas deve se focar em novos heróis. Agora, estão usando pesadamente a computação gráfica e o resultado deve ficar bom. Só espero que o senso de grandiosidade e drama sejam mantidos. Uma das coisas que não gosto dos animês modernos é a presença constante de adolescentes histéricos. Não há espaço pra isso no universo mais maduro que sempre marcou as aventuras do Yamato. Só nos resta aguardar. 




REFLEXÕES SOBRE O FILME DOS ULTRAS 


É ótimo ver de novo os velhos Hayata e Dan Moroboshi. Mas saber que outros três veteranos foram chamados apenas para dublar os heróis transformados foi bem decepcionante. Talvez o roteiro não tivesse espaço para eles aparecerem. Se isso for perceptível, ou seja, se o roteiro estiver bem amarrado e aproveitado, tudo bem.


O filme anterior, A Grande Batalha - Os 8 Super Irmãos Ultra foi bem interessante e com grandes momentos. Mas o roteiro de Keiichi Hasegawa foi um tanto confuso. Perderam a primeira metade do filme para explicar sobre dimensões paralelas, a fim de localizar numa mesma realidade os alter egos dos Ultras vindos de mundos diferentes em um enredo totalmente novo. Mas quando surge o perigo, eles se "lembram" que são heróis em outra dimensão, se transformam e vão à luta como se isso fosse normal, jogando toda a lógica para o espaço. Aliás, o final é das coisas mais incrivelmente acéfalas que já vi na vida, mesmo levando em conta o tipo de filme que é. 


O longa dos 8 Ultras também foi excessivamente focado em mostrar pontas e participações especiais e dar espaço aos atores que interpretam os heróis e suas companheiras. Foi um filme dos humanos. Dessa vez, parece ser muito mais um filme de ação dos Ultras. E as cenas de ação, nota-se, parecem dignas de cinema.




Conforme citei na matéria do Omelete, há a presença de Junichiro Koizumi no elenco de dubladores, além de alguns atores originais. Mas o peso do cast de vozes vai mais além, pois Ultraman Zero será dublado por Mamoru Miyano, conceituado dublador que já emprestou sua voz para Light Yagami, na versão em animê do aclamado mangá Death Note


Outro ponto interessante do filme será trazer de volta o personagem Asuka e seu alter-ego, Ultraman Dyna. Vagando perdido entre universos e dimensões desde o final de sua série em 1998, Dyna será trazido ao Universo Ultra clássico. Há fãs que consideram que tudo se passa num mesmo universo, mas isso cria incongruências incompatíveis entre as séries. 


Mesmo vagamente, a produtora estabelece que existem universos distintos em suas produções.  A Tsuburaya sempre deu um tratamento meio vago à cronologia de suas séries. Em Ultraman Moebius, tentou-se estabelecer um "universo clássico", que engloba as séries originais até 1980 e depois pula para Moebius, em 2006. 


Ultra Seven teve aventuras em 1994, 98, 99 e 2002. Pelo que foi visto nelas, as aventuras se passaram em um mundo que conheceu apenas Ultra Seven, apesar de Baltan (inimigo do Ultraman) e alguns outros aparecerem em fotos no início do primeiro dos filmes especiais de Seven. 


Muitos outros Ultras foram imaginados como pertencendo a universos paralelos ou alternativos. Porém, alguns deles irão aparecer no novo longa, como Ultraman Neos, Great, Powered e Max, cujas séries foram feitas antes de Ultraman Moebius e completamente ignoradas para efeito de cronologia, apesar de aparecerem no novo filme. Como a história do filme se passa no futuro, pode-se imaginar que os citados Ultras podem ter vivido aventuras depois de Moebius. É uma desculpa meio esfarrapada, mas que acaba fazendo algum sentido. Ou isso, ou eles podem até ser imaginados como sendo versões do "universo normal" de Ultras que tiveram séries próprias em outros universos. Bom, mas independente desse papo todo, o que vai importar mesmo é se o filme será bom. Se terá um roteiro bem amarrado e consistente em si, se a produção será tão boa quanto parece nos trailers e se o filme, no final das contas, for uma obra digna de cinema.



E com distribuição da Warner Bros, tema do filme interpretada pela badalada cantora Misia e um ex-Primeiro Ministro entre seus dubladores, pode-se dizer que os Ultras nunca foram tão mainstream.

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É extremamente difícil e frustrante diagramar postagens com varios elementos aqui no Blogger. Espaços aparecem do nada, formatações que se alteram sozinhas... É um saco editar nesta porcaria. Estou pensando em mudar para a Wordpress. 



sexta-feira, 6 de novembro de 2009

VENDENDO DESENHOS POR QUILO

O tema da valorização profissional, volta e meia, é assunto aqui no blog. Se procurar na lateral  o marcador "Dicas para desenhistas", verá muito do que eu penso sobre o assunto. Também já falei aqui sobre a importância de saber cobrar bem, de se valorizar como profissional, etc...

Por isso, não posso deixar de comentar algo que realmente incomodou descobrir. Há tempos, tenho ouvido falar de um grupo de caricaturistas que montou quiosques por São Paulo (capital). São jovens talentosos e competentes. E que cobram um preço ridículo para uma caricatura de casal que pode ser usada em convite de casamento. O valor "por cabeça" de caricatura que eles fazem é de um preço muito baixo, que não leva em conta que desenhar bem e rápido não é pra qualquer um e que não dá pra vender uma ilustração exclusiva a 20 reais. Não dá pra competir com um preço desses e esses garotos só podem aceitar isso porque são muito jovens e devem estar felizes por ganhar um trocado fazendo o que gostam.

Mas isso não é brincadeira, é todo um mercado de trabalho que está sendo detonado por uma prática infeliz de se ganhar pelo atacado, de vender desenho de baciada e ganhar na quantidade. E eles são bons. Como disse, não ataco o trabalho deles, mas a postura inconsequente de cobrar baratinho pra conquistar terreno. Depois, vai ser difícil pra eles subir o preço para algo mais justo e nivelado com os bons profissionais há mais tempo no mercado.

Espero que cada um deles, um dia, perceba o estrago que fez na própria carreira. Porque um dia eles vão envelhecer e se dar conta de que as necessidades financeiras de um adulto independente são bem diferentes das de alguém mais jovem que vive com os pais. E aí, alguns deles vão largar o desenho, dizendo que não dá pra viver de desenhar. Se o estrago fosse só nas próprias carreiras, tudo bem. Mas quando um grupo numeroso chega com um bom trabalho e cobrando absurdamente pouco, o estrago é no mercado como um todo.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ESBOÇANDO DIGITALMENTE



O esboço aqui apresentado foi feito diretamente na tela do computador, com o Photoshop sendo usado através do meu novo brinquedo (digo, ferramenta de trabalho), uma tablet G-Pen F509, da Genius. Pra quem não sabe, trata-se de uma prancheta que é acoplada ao computador e tem um mouse em forma de caneta, o que permite controle total do traçado. A que estou usando é uma tablet simples e comprei pensando em somente colorir desenhos, já que ela não é das mais indicadas para traçados muito detalhados ou complexos. Sua caneta, que substitui um mouse perfeitamente, permite um razoável controle de pressão, conseguindo imitar traços de pincel. Com paciência, dá pra pegar prática em alterar as opções do Photoshop e tirar melhor proveito das propriedades do equipamento para cada traçado, cada situação que o desenho exige.

Certamente, continuarei desenhando no papel e escaneando a arte. Mas agora é possível retocar desenhos facilmente com a tablet. Vinhetas e ilustrações mais estilizadas podem ser feitas tranquilamente direto na tela, facilitando muito a vida do desenhista profissional.

Eu já fui bastante resistente a algumas inovações, mas agora, mesmo sem ainda dominar a nova ferramenta, recomendo aos colegas profissionais. Agora, quem ainda está no começo, estudando ainda fundamentos básicos do desenho, não pode deixar o lápis (ou lapiseira) de lado, de jeito nenhum. A finalização digital pode até encobrir falhas de construção no desenho, mas somente para olhos amadores. A essência do traço ainda é – e sempre será – o toque humano. E isso só pode ser aprimorado com os dedos sujos de grafite e tinta.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

ATUALIZANDO...

Desde o dia 16 de outubro, estou morando com minha família em Ilha Solteira, uma pequena e simpática cidade no limite de São Paulo com o Mato Grosso do Sul. Daqui, continuo prestando serviços para meus clientes. Obviamente, há os trabalhos presenciais (como as caricaturas em festas), mas estes eu tenho repassado a profissionais da mais alta confiança e estima.


Peço desculpas aos leitores deste blog pela demora em atualizar, mas tenho usado serviços de lan house enquanto não consigo instalar internet em minha casa. Por isso, tenho feito somente algumas atualizações via Twitter. Descobri que a Telefonica/Speedy aqui consegue ser pior do que na capital, com prazos absurdamente longos e vagos para se atender a solicitações de instalação de internet. E a opção de internet via rádio é demasiado cara para uma velocidade insuficiente, de 150 ou 200 Kbps. Mas é a única alternativa para se escapar das garras atrapalhadas da Telefonica. Realmente, tranquilidade e praticidade são palavras que dificilmente andam juntas...


Vim pra cá com um serviço grande pra entregar e estou conseguindo cumprir cada etapa, felizmente. Tenho me esforçado para manter trabalhos e contatos em dia, mesmo que alguns projetos tenham sido jogados para algum dia num futuro distante. As prioridades são os trabalhos em andamento. E hoje resolvi atualizar o blog, mais pra dar uma satisfação aos leitores.


Na medida do possível, irei postando textos como antigamente. Por ora, obrigado pela paciência e continue de olho no Blog Sushi POP. Cuide-se e até breve!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

PARTINDO DE SÃO PAULO


Um aviso geral aos leitores: Estou de mudança de São Paulo. Vou com minha família para Ilha Solteira, na divisa com o Mato Grosso do Sul, buscando uma melhor qualidade de vida. É uma cidade distante, mas onde temos parentes e condições de começar bem uma nova fase. Já estive lá muitas vezes e digo que é uma cidade bem simpática, com ar puro (essencial para quem tem alergias) e um ritmo mais tranquilo.


Continuarei prestando serviços de HQ, caricatura e ilustração, tudo via internet. Como aliás, tenho feito nos últimos anos. E há também algumas ideias para colocar em prática em minha nova cidade.



Além das facilidades da cidade grande, sentirei uma enorme falta dos parentes e dos muitos amigos que tenho mantido ao longo da vida. Despedidas não são nada fáceis e meu coração está bastante apertado. Mas tenho recebido mensagens, telefonemas e visitas de gente desejando boa sorte e eu tenho certeza de que, com tanta gente boa vibrando tão positivamente, as coisas só podem dar certo mesmo.


Eventualmente, voltarei a SP quando necessário. Se a mudança será definitiva ou por uma temporada limitada, é cedo para dizer. Em minha mente tenho planos, que podem mudar conforme os dias e meses forem passando. 


Na vida, não são os mais fortes ou inteligentes que sobrevivem. São aqueles mais capazes de se adaptar a mudanças. E a Vida sempre nos surpreende e nos empurra a seguir em frente.


Para quem quiser continuar mantendo contato, continuarei usando meu e-mail (nagado@nagado.com ) para mensagens pessoais e o Twitter (www.twitter.com/nagado) para algumas postagens eventuais.


Quando eu estiver bem instalado, este blog será atualizado, direto de Ilha Solteira.
Até lá e obrigado pela atenção.




quarta-feira, 30 de setembro de 2009

CASO IBEP - ESCLARECIMENTOS, RETRATAÇÃO E ACORDO

Na quarta, dia 23, estive com meu advogado, o Dr. Carlos, em uma reunião na Editora IBEP para esclarecer e buscar um desfecho para o meu caso envolvendo direitos autorais.


Recapitulando: descobri por acaso que um livro da empresa usou parte de uma HQ de minha autoria (Dani - Pequenos Gestos) em um livro de português, o Tecendo Linguagens - Oitava Série. Fiz contato com a editora, que logo detectou o erro. Passei então a negociação para um advogado e depois outro. E, impaciente com a demora em se marcar uma conversa de esclarecimento e negociação sobre os direitos envolvidos, publiquei texto neste blog dando nomes aos envolvidos no caso, referindo-me à editora de forma pejorativa.


Os citados estavam todos presentes na reunião, mais o responsável pela empresa. Aí, fui sendo informado sobre os problemas que envolveram o livro e também sobre a política da editora, que procura ser bastante cuidadosa com direitos autorais.


A posição da editora com relação ao conteúdo das obras publicadas é atribuir a veracidade das informações, autenticidade das imagens e legitimidade de seu uso aos autores. E possui uma vasta documentação de autorizações encaminhadas por diversos autores para provar que o que aconteceu comigo foi uma infeliz exceção, feita numa gestão anterior à atual. Mas aconteceram outras coisas que prejudicaram o andamento normal do livro.


A autora principal do livro, Tânia Oliveira, faleceu recentemente, após 8 anos de luta contra o câncer. O livro fora editado três anos atrás, em meio a inúmeras idas a médicos e preocupação constante.


Pode parecer frio demais dizer que uma coisa não justifica outra. Mas procuro me colocar no lugar das outras pessoas. Que são humanas, erram e o descuido que me atingiu não pode ser atribuído a má-fé, ainda mais nas circunstâncias em que o livro foi finalizado, em meio à luta contra a grave doença da autora. 


Com relação à demora em retorno dos contatos entre advogados, faltou a mim atribuir o benefício da dúvida. Todos os recados foram dados? Em que circunstâncias foram recebidos? A outra parte entendia que não havia novidade sobre o caso que justificasse um pronto retorno. E estava ainda analisando fatos e precedentes, para um posicionamento embasado. 


Mas a demora nos posicionamentos motivou minha manifestação precipitada neste blog, o que levou a manifestações ainda piores por parte de leitores. O cuidado que procurei ter ao divulgar fatos para não confundir opinião pessoal (as críticas pejorativas) com registro de acontecimentos não adiantou muito. Criou-se um movimento contrário à editora por parte de algumas pessoas. A bola de neve que se criou por pouco não eliminou qualquer chance de diálogo. 


Tenho uma retratação pública a ser feita, para as pessoas que se sentiram atingidas e à instituição IBEP. Minha intenção ao dar nomes foi atestar veracidade e fomentar uma solução, mas não devia ter feito isso, pois o profissional e o pessoal, infelizmente, se misturam. Cúmulo dos absurdos, uma pessoa citada por mim recebeu ligações ameaçadoras e ofensivas na editora por parte de algum "simpatizante" meu. A situação, uma vez tornada pública, realmente fugiu ao controle e ganhou contornos surreais. Já não se sabe se foi realmente um simpatizante ou alguém interessado em prejudicar minha causa, fazendo crer que eu estava, de alguma forma, fomentando violência pra resolver a questão rapidamente. Essa ligação pode ser rastreada e o responsável pode ter que responder pelo que fez, que é bastante grave e sério e de modo algum ajudou a mim, muito pelo contrário.


Institucionalmente, uma imagem foi arranhada também e, quanto a isso, o que posso fazer é explicar como as coisas foram feitas, mostrando que a IBEP, ao tomar consciência do fato, agiu da forma correta. Aos que se sentiram ofendidos ou prejudicados, minhas sinceras desculpas, mesmo que eu tenha entrado nessa história como vítima de um erro administrativo causado por uma soma de circunstâncias.


Pela sucessão de fatos, mal-entendidos e problemas absolutamente fora de controle, as coisas ganharam uma dimensão que não deveriam ter ganho. Certamente, a IBEP é maior do que tudo isso e o ruído tende a desaparecer visto que a situação se esclareceu e caminha para uma resolução.


Enfim, devo dizer que, a despeito da tensão gerada por toda essa situação, a solução oferecida foi plenamente satisfatória. Obviamente, os termos do acerto e acordo permanecem em sigilo entre as partes, mas foi tudo bastante razoável e, no que me diz respeito, saí satisfeito, ciente do que era possível, desde antes da reunião.


A gestão atual pagou por erros anteriores, manifestou-se energicamente contra o que considerou exagero e imprudência de minha parte e ofereceu uma saída negociável. E justa, dentro do que representa o caso.


Parte dessa negociação está exposta aqui, na forma de uma retratação pública previamente acordada entre nós. O número crescente de leitores deste blog se encarregará de disseminar a informação. Como ponto positivo, fica o registro de uma situação que resolveu-se de forma civilizada.


Meus agradecimentos às pessoas que se importaram com minha causa, ao meu advogado e ao pessoal da IBEP que, ao final, cuidou para que a situação tivesse um desfecho satisfatório.


Finalmente, seguindo princípios democráticos nos quais acredito, abro espaço para uma carta aberta da editora IBEP a ser publicada, sem qualquer edição por minha parte, dando o caso por encerrado.


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

J-POP: O PODER DO POP-ROCK NIPÔNICO

Em 2008, em meio às comemorações e homenagens ao Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, até o São Paulo Fashion Week, badalado evento de moda, deu sua contribuição. Sua revista oficial, a ffw Mag! (Lumi 05), dedicou uma edição inteira ao Japão, com abordagens históricas, sociais, culturais das mais variadas com uma grande variedade de autores.

A mim, coube um texto sobre música jovem. Música é um assunto que me interessa tanto quanto HQ e foi bem divertido produzir o texto. Foi também muito gratificante participar da publicação, que coloca seu nome na capa, inclui biografia e foto no interior e - principalmente - remunera justamente seus colaboradores. Respeito artístico e profissional à toda prova.

O que segue abaixo é uma revisão do texto original, sendo que o que foi mostrado na revista passou por edição, ficando menor para se adequar tanto ao espaço disponível quanto às normas e padrões editoriais. Espero que goste.

J-Pop!

Música japonesa para o ocidente ouvir

O J-pop é o equivalente japonês da música pop internacional, mas o idioma é apenas uma das características que o distingue de outros segmentos da música. Do rock mais grandioso às baladinhas açucaradas, o J-pop movimenta uma indústria milionária e diversificada, que aos poucos vai se mostrando para o mundo. Mas muito antes do movimento atual, uma música japonesa fez o mundo todo assobiar.

IDENTIDADE PRÓPRIA X ARMAÇÕES DA MÍDIA >>> Na década de 1960, antes de definições e rótulos, a música "Ue wo muite arukou" (ou “Caminhando e olhando para cima”), deliciosa pérola pop do cantor Kyu Sakamoto, ganhou o mundo sob o título "Sukiyaki". O nome foi sugerido pelos executivos da gravadora que lançou a música no ocidente. Mesmo sem que a música em questão tivesse algo a ver com o prato, o título foi escolhido por sua sonoridade oriental.

Sukiyaki fez sucesso na Europa, nos EUA e foi regravada várias vezes no Brasil: "Olhando para o céu" ganhou voz nos anos 60 pelo Trio Esperança, nos anos 80 pelo grupo Patotinha, nos anos 90 por Daniela Mercury e em 2008 por Jair Rodrigues. Sukiyaki representava um lado mais alegre e jovial da música japonesa, tradicionalmente mais formal, e pode ser considerada uma ancestral do J-pop. O rock e o pop começavam a ensaiar passos tímidos no Japão dos anos 60, quando a visita dos Beatles ao país em 1966 atraiu a atenção de toda a população e foi uma inspiração para gerações de artistas, que até hoje seguem influências ocidentais.

O J-pop representa mais um segmento de mercado do que um gênero musical, numa salada que mescla rock, música romântica, technopop, dance music, rap, reggae e o que mais aparecer pela frente. Isso em meio a inúmeros hits cuidadosamente planejados por produtores e empresários. Não faltam diversas boys bands e girls bands, seja na linha Backstreet Boys, Menudo ou Spice Girls. Com talento irregular e apoiados por coreografias ensaiadas e produção requintada, dezenas de novos ídolos são lançados anualmente. Muitos não passam do primeiro trabalho, num mercado sempre interessado em carinhas novas.

Mas além de estilos e armações, há uma marca sonora inconfundível presente em todo artista pop japonês, que é o uso sem cerimônias do idioma inglês misturado ao idioma local. Além de nomes de bandas e títulos de músicas, frases e palavras soltas em inglês – com eventuais erros gramaticais, aparecem em quase toda canção de J-pop, geralmente com uma pronúncia adaptada ao modo fonético japonês, onde a palavra “friend” vira “furendo”, por exemplo. Desde o começo foi assim, e essa característica ganhou força na década de 1980. Naquela década, ao lado de tantas armações de gravadoras com garotinhas de voz parecida e carinhas angelicais, alguns artistas de grande qualidade deixaram marcas autorais.

Nomes como Anzen Chitai, Chage & Aska, The Checkers, Seiko Matsuda, Mr. Children, Dreams Come True, Southern All Stars e outros consolidaram o espaço do pop honesto e de qualidade entre o público japonês.

Mas nenhum deles foi tão absoluto quanto Tetsuya Komuro. Líder da banda TM Network (ainda nos anos 80) e posteriormente da globe (escrita com minúscula mesmo), o tecladista, cantor e compositor Tetsuya Komuro se estabeleceu como o midas pop da mídia japonesa. Ele dominou quase toda a década de 1990 com sucessivos hits de technopop, escritos e produzidos para vozes femininas, como Namie Amuro, Tomomi Kahala, Ayumi Hamasaki e Ryoko Shinohara. Ainda, uma das protegidas de Tetsuya Komuro ajudou a revolucionar costumes e até a moda no Japão.

A cantora e dançarina Namie Amuro (foto ao lado) veio da região de Okinawa, no extremo sul do Japão, um reino independente anexado e depois transformado em província. Okinawa tem clima tropical, idioma, costumes e religiosidade próprios, além de um biotipo com pele morena e olhos maiores e com dobras nas pálpebras, o que os diferencia mais facilmente do resto do povo japonês. O estouro de Namie Amuro no começo nos anos 90 desencadeou uma explosão de astros pop de Okinawa. Na esteira dessa “invasão okinawana”, o bronzeamento artificial começou a ser feito por muitas jovens, a fim de conseguir uma pele mais morena.

Outras cantoras, como Ayumi Hamasaki, começaram a popularizar nas grandes cidades o tingimento de loiro entre muitas colegiais, bem como cirurgias para aumentar a abertura dos olhos, fora as dobras nas pálpebras (normalmente ausentes em olhos nipônicos).


As musas dos anos 90 trabalharam uma imagem próxima das estrelas internacionais, com uma postura mais forte e sensual que influenciou tanto a moda quanto o comportamento, em oposição às angelicais e pueris pop idols dos anos 80. Ainda naquela década, surgiu a cantora e compositora Hikaru Utada, na verdade uma estadunidense filha de uma ex-cantora japonesa. Garota-prodígio aos 16 anos, quando estourou com "First love "(9 milhões de singles vendidos desde 1999), ela ganhou fãs no mundo inteiro e até no Brasil a música foi tocada, através da rádio Antena 1. Assinando apenas Utada ou Cubic U, lançou alguns trabalhos nos EUA, mas ainda não vingou para a grande mídia ocidental, um desafio para muitos artistas japoneses.

RUMO AO OCIDENTE>>> Influenciados por Beatles e música folk, a dupla Chage & Aska teve dois singles, "Say Yes" e "Yah Yah Yah" (de 1989 e 1993, respectivamente) entre os 10 mais vendidos da história no Japão, com vendas acima dos 3 milhões de cópias cada. Em 1994, gravaram a canção em inglês Something there, tema de encerramento do filme Street Fighter – A última batalha, baseado na popular franquia de heróis dos games. Em 1996, gravaram um sofisticado MTV Unplugged em Londres, sendo os primeiros artistas japoneses a fazer isso. No mesmo ano, foram regravados por nomes como Alejandro Sans, Maxi Priest e Boy George para o álbum One Voice – The Songs of Chage & Aska. Com isso, ganharam algum reconhecimento no mercado europeu, mas não conseguiram levar isso ao resto do mundo, exceto no continente asiático, onde ainda são populares.

Outro que arriscou passos fora do oriente foi o já citado Tetsuya Komuro, que incluiu uma faixa no filme Velocidade Máxima 2 (Speed 2, de 1997), assinando apenas como TK. Também gravou com o tecladista francês Jean-Michel Jarre uma faixa para o álbum promoci
onal da Copa do Mundo de 1998 na França, iniciando uma produtiva parceria. Mas tanto para Chage & Aska como para TK, esses projetos ligados ao ocidente nunca foram prioridade, ao contrário da veterana banda Dreams Come True (ou DCT), que tentou com força uma entrada nos EUA. Primeiro, lançaram um belo álbum, o Sing or Die, de 1997, que trazia versões em inglês de vários sucessos. Depois, encararam uma miniturnê em solo estadunidense, que acabou não gerando muita repercussão, apesar da excelente voz da cantora e compositora Miwa Yoshida. Seus esforços lhe valeram um convite para participar do evento beneficente Live 8, realizado em 2005.

Correndo por fora, uma banda alternativa acabou ganhando mais prestígio que muitos medalhões e fez sucesso na MTV. Era o Pizzicato Five. Citado como referência do grupo Pato Fu, o P5 (como também é conhecido) surgiu nos anos 80, nas ruas do movimentado bairro de Shibuya, em Tóquio. Inicialmente um quinteto que se reduziu a uma dupla, o Pizzicato Five registrou canções divertidas e descompromissadas, até encerrar oficialmente as atividades em 2001. Fãs de música brasileira, eles até regravaram "Mas que nada," de Jorge Benjor, famosa mundialmente na interpretação de Sérgio Mendes.
De nomes de ponta do J-pop, a dupla Puffy AmiYumi foi mais longe que todos os seus conterrâneos. Primeiro, em 2003 elas cantaram (em inglês e japonês) o tema do desenho animado dos Jovens Titãs (Teen Titans), grupo de heróis da DC Comics, a editora do Superman. Depois, em 2004, o Cartoon Network apresentou ao mundo a série animada Hi Hi Puffy AmiYumi, que foi elaborada nos EUA e retratou, com um humor escrachado, a vida de duas estrelas do J-pop. Com diversos sucessos da carreira da dupla, o álbum com a trilha sonora da série teve lançamento mundial em 2005, inclusive no Brasil, onde o desenho foi visto tanto no Cartoon quanto no SBT. O lançamento brasileiro ainda contou com uma versão em português da música de abertura, cantada pela dupla com um sotaque indisfarçável. Uma outra investida do J-pop em solo ocidental veio também nesta década, com o selo Tofu Records, que lançou nos EUA o álbum J-Pop CD, com nomes expressivos do cenário musical japonês, como TM Revolution, Chemistry e Siam Shade. Outros títulos foram lançados, revelando um nicho de mercado com força para se manter.

AS VIBRANTES ANIME SONGS E O VISCERAL J-ROCK
>>> Dependendo de muita exposição na mídia, uma lucrativa fonte de renda para muitos artistas no Japão é gravar músicas para comerciais de TV e novelas. Igualmente interessante é o mercado de canções para trilhas musicais de animês, seriados e até games, as chamadas anime songs ou anisongs. Essas trilhas não são uma subdivisão do J-pop, e sim um segmento de mercado independente que, com certa regularidade, tem músicas pop em suas fileiras. Existem anime songs, especialmente as mais antigas, que são mais relacionadas com as tradicionais canções enka, com marchas militares ou cantigas infantis, quase sempre com melodias e arranjos vibrantes. Mas o gênero também acompanha os tempos e capta as tendências de cada época. Com o pop em ascenção nos anos 80, não seria diferente.

O flerte do J-Pop com as anime songs se consolidou logo no começo dos anos 80, com o sucesso do animê Macross, em 1982. O desenho, uma saga espacial com robôs e espaçonaves, tinha muito romance e até uma personagem cantora, Lynn Minmey, a qual tinha a voz de Mari Iijima. Ganhando o coração dos fãs de animês e atraindo a atenção do grande público através do sucesso do tema "Ai – Oboeteimasu ka? " (ou "Você se lembra do amor?"), Macross abriu espaço para que as gravadoras vissem nos animês uma excelente vitrine. Também pianista e compositora, Mari Iijima conseguiu se manter no mercado depois do estrelato meteórico e conseguiu lançar trabalhos autorais no Japão e nos EUA, sempre procurando dissociar sua imagem da personagem que a lançou à fama.

Ela buscava, acima de tudo, um reconhecimento artístico que quase não existe no campo de músicas para animês, apesar de ser um segmen
to estabelecido, com muitos artistas focados nele, como Hironobu Kageyama, cantor de Dragon Ball Z, Changeman e Cavaleiros do Zodíaco. Ele, que já esteve várias vezes no Brasil, lidera a banda JAM Project, grupo vocal formado por cantores de anime songs. Desde 2005, conta com o brasileiro Ricardo Cruz como membro, selecionado através de uma audição internacional. Ele estreou em 2005 com Gong, tema de um jogo para PlayStation 2 chamado Super Robot Wars Alpha 3, música que também tem a participação do guitarrista português Nuno Bettencourt, da extinta banda Extreme, sucesso dos anos 80 com a música More than words. Kageyama e seu globalizado JAM Project buscam a essência das anisongs tradicionais, onde a música fala do enredo da série, coisa que normalmente é esquecida quando nomes do J-pop fazem anime songs.

Mas longe das marchinhas antigas, corre nas veias do JAM Project a variante mais pesada do J-pop: o J-rock, que bebe na fonte do hardcore, punk, glam, heavy metal e metal melódico.


Dentro do J-Rock, há aqueles de visual mais berrante, uma subdivisão que já foi chamada de Visual Rock, Visual Kei e Visual Shock. Seus artistas apostam em visuais exóticos, muitas vezes andrógino e atitudes mais agressivas, obviamente ensaiadas com seus empresários. Seus maiores expoentes foram o X Japan (ou apenas X - foto ao lado), Malice Mizer, Luna Sea e Kuroyume, entre outros. O X Japan, ícone do movimento visual kei, foi uma banda que marcou época com seu som pesado, agressivo e visceral, aliado a um visual extravagante (especialmente no começo da carreira). Também se celebrizaram com baladas românticas grandiosas, como "Forever love", não por acaso escolhida como tema do animê X, do estúdio Clamp. Cheio de variantes, o J-rock ainda abriga nomes como Glay, Asian Kung-Fu Generation, L´Arc~en~Ciel e outros. Os j-rockers, bem como seus colegas pop, têm legiões de fãs no Brasil, país que tem tido contato com a música japonesa há anos, graças à presença aqui da maior colônia japonesa do mundo.

O J-POP NO BRASIL
>>> No Brasil, o J-pop se fez conhecido graças a iniciativas isoladas. Nos extintos programas Imagens do Japão e Japan Pop Show, clipes e shows japoneses começaram a ser vistos nos anos 80. No auge dos programas de TV da colônia japonesa, o cantor Kondo Masahiko veio ao Brasil, amparado apenas pelo público do Imagens do Japão. Também o programa Rádio Nikkey, da Imprensa FM, divulgou bastante o J-Pop, bandeira mantida hoje por algumas estações virtuais, como a Rádio Banzai.

Eventos ligados a mangá e animê também deram impulso à popularidade de músicas japonesas, a ponto de existirem diversas bandas amadoras e semi-profissionais especializadas em J-Pop, J-rock e anime songs. E vale citar também a música "Made in Japan" (de 1999, incluída no álbum Isopor), do Pato Fu, cantada pela descendente de japoneses Fernanda Takai. Uma composição original do guitarrista John Ulhoa, com letra vertida para o japonês pelo amigo Robinson Mioshi, Made in Japan captou o espírito do melhor do J-pop.
Com sons para todos os gostos, a eclética música pop japonesa tem buscado seu espaço no ocidente.

Seguindo os passos do mangá e do animê, o J-pop aos poucos vai sendo conhecido pelos fãs de cultura pop japonesa e vai ganhando seu espaço. Deixando o apelo visual de lado, no J-pop existe, como em qualquer gênero, música de boa qualidade que vale a pena ouvir.

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Essa matéria para a Mag! também rendeu, na época, uma entrevista com a cantora japonesa Mari Iijima, que não entrou na revista por causa do espaço, mas que foi aproveitada aqui no blog.

- Leia a entrevista na íntegra aqui.

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Meus agradecimentos ao pessoal da MAG!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

DESENHANDO PROFISSIONALMENTE


É impossível falar do meu trabalho com HQ sem mencionar o  quadrinhista Arthur Garcia, autor de uma grande variedade de cursos de desenho publicados pela Editora Escala e premiado em 1990 com o Troféu O Mosquito (Festival de Amadora, Portugal) e duas vezes com o Troféu Angelo Agostini, sendo em 1994 como roteirista e em 95 como desenhista.

Trabalhamos juntos no começo dos anos 90, com ele desenhando roteiros meus para Maskman e Changeman, da Ed. Abril. Em 1993, começamos uma parceria com Street Fighter, para a Ed. Escala, que se tornou nosso trabalho mais popular. Em 1995, quando editei a revista Master Comics (Ed. Escala), convidei ele para produzir sua série Pulsar, da qual eu era grande admirador. Em 1997, ele desenhou a minisserie de meu personagem Blue Fighter, para a Trama Editorial. Em 2003, foi um dos primeiros nomes que chamei para o álbum Mangá Tropical (Via Lettera).

E até hoje sempre nos falamos, compartilhando nossas percepções sobre o mercado. Durante um de nossos papos, ele comentou que já pensou em montar um blog, mas que não teria tempo e paciência para atualizações regulares, mas que tinha alguns textos antigos e já utilizados que gostaria de compartilhar com uma nova geração de leitores. Então, atendendo a meu convite, ele enviou alguns textos e selecionei um para entrar aqui no Sushi POP, que tem um espaço para eventuais autores convidados. É um texto que eu gosto muito e fala sobre o maior desafio em ser um desenhista profissional. Para ler e refletir:

VOCÊ CONSEGUE DESENHAR ISTO?


Se eu tivesse ganhado mil reais por cada vez que ouvi esta pergunta nos últimos vinte e tantos anos, provavelmente já estaria rico e aposentado. Este, como vocês bem podem imaginar, não é o caso.

Toda vez que sou convidado a dar uma palestra em uma escola de desenho, a minha mente invariavelmente inicia uma viagem no tempo que me leva de volta a dois momentos distintos do passado.

Em um deles, estou em 1989, na cidade de Angoulème, na França (onde anualmente se realiza uma das principais convenções de quadrinhos da Europa), mostrando o meu portfólio a dois artistas franco-canadenses que se espantavam com a diversidade de estilos nele contida. No outro, eu tenho dezesseis anos e, sendo um fã incondicional de John Byrne e quadrinhos de super-heróis, tento aprender a mecânica do desenho de Mônica e Cebolinha para produzir algumas amostras que possam ser apreciadas por um profissional do estúdio de Maurício de Sousa que eu acabara de conhecer.

O motivo destas duas lembranças virem à minha mente, de algum modo interligadas, quando sou convidado a falar para aspirantes à profissão de quadrinhista, se explica pelo fato de que pela primeira vez, naquele ano de 1989 na França, me dei conta de ser um artista versátil. E que, mais do que uma escolha pessoal, isto se deu por uma imposição do mercado já na minha primeira exposição a ele. Como já disse anteriormente, desde a mais tenra idade sempre fui um fã dos quadrinhos de super-heróis, mas quando tentei adentrar ao mercado de trabalho como artista, descobri que ele era praticamente dominado pelo estilo infantil (ou “bonequinhos”, como muitos de nós o chamamos). Assim, sem ter muita escolha, fui a campo e aprendi a lidar com este tipo de desenho e, sem que me desse conta, me tornei um proletário das artes.

No entanto, maravilhosa como possa parecer a idéia de se tornar um profissional do lápis e do pincel, esta traz embutida uma responsabilidade que muitos jovens artistas parecem não perceber: você vive do que produz; ou seja, se não tiver trabalho, não terá comida na mesa.

Esta idéia pode parecer aterradora num primeiro momento, mas é por isso mesmo, que toda vez que dou uma palestra em uma escola, sugiro aos jovens aspirantes que gastem um tempo ponderando a respeito da mesma. Isto evitará muitas desilusões.

Foi por reconhecer o caráter comercial da nossa profissão que sempre estive pronto a travar conhecimento com novos editores, produtores e agentes, os quais, após uma consulta ao meu portfólio, invariavelmente me mostravam o tipo de trabalho que desejavam e sacavam contra mim a já referida pergunta: “Você consegue desenhar isto?”

Como conseqüência, desenvolvi trabalhos para uma infinidade de meios: quadrinhos, publicidade, licenciamento, cartum, animação e ilustração, para o Brasil e o exterior, sempre alargando as fronteiras de estilos que pudessem ser de mim exigidos, nos prazos desejados e na qualidade requerida.

Daí o meu conselho a todos os aspirantes a artista que encontro: tentem ser ecléticos. Independente de seus gostos pessoais (e eu não estou a pedir que os abandonem), tenham certeza que saberão desenhar tanto um pato de verdade quanto um Pato Donald. Num mercado instável como o nosso, quanto maior for a sua habilidade artística, menor será a chance de você ficar sem trabalho e ouvir uma outra pergunta muito desagradável sendo endereçada a você: “Quando vai pagar o que me deve?" 

P.S. : Anos atrás, durante minha estada em Portugal, descobri que Derib, um famoso desenhista suíço que realizou um ótimo faroeste realista (Buddy Longway), começou a sua carreira como desenhista no estúdio de Peyo, o criador dos Smurfs, o que lhe fez desenvolver uma versatilidade invejável.

P.S. 2: Vocês sabiam que um dos primeiros trabalhos de John Byrne foi a quadrinização da série “Carangos e Motocas” (Wheelie and the Chopper Bunch) da Hanna-Barbera, para a Charlton Comics?


- Arthur Garcia   

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A EDITORA IBEP E O (DES)RESPEITO AOS DIREITOS AUTORAIS

Em junho deste ano, uma aluna mostrou um livro de português chamado Tecendo Linguagens (Ed. IBEP, 2006), que havia sido usado por ela no ano anterior e onde havia uma HQ minha. O trabalho, a história Dani - Pequenos gestos, fora extraído do álbum Mangá Tropical (Ed. Via Lettera, 2003) e usado à minha revelia. Foram dados os devidos créditos, mas eu jamais teria autorizado gratuitamente e da forma como foi usado, com ampliações das páginas de metade da história. Foram seis páginas, com uma interpretação de texto em seguida.

Se tivessem feito uma pequena redução no tamanho, poderiam até ter usado a história inteira (se eu tivesse concordado), com duas páginas dela em cada página do livro.

Do modo como fizeram, prejudicaram o conjunto do trabalho. Mas isso é um detalhe. O que pegou foi que estavam há 3 anos usando meu trabalho para agregar valor a um livro que era vendido caro (mais de 50 reais) e eu não vi um centavo. E se a aluna não tivesse me mostrado o livro, eu jamais saberia e eles continuariam usando meu trabalho.



Fiz contato com a editora através do site que ela mantém. A encarregada pelas imagens, a funcionária Maria do Céu deu retorno e, através dela, soube que realmente os autores "se esqueceram" de pedir autorização. Ela perguntou quanto eu cobraria pra deixar usarem as imagens. Respondi que não era bem assim. A HQ estava sendo usada sem meu conhecimento desde 2006, fora por acaso que eu havia descoberto e que isso iria ser resolvido por um advogado. E a partir daí começou o jogo de esconde-esconde.

Um primeiro telefonema foi atendido para que o assunto fosse apresentado. E, a partir daí, Dra. Leila e Dr. Roberto, os advogados da IBEP, passaram a sistematicamente evitar todo e qualquer contato. Semanas se passaram com tentativas telefônicas sem encontrar ninguém e sem que se retornasse uma única ligação. Já era óbvio que havia descaso. Mas não desistimos.



Optamos por enviar uma notificação extra-judicial, devidamente protocolada. A notificação foi assinada pela Dra. Leila em 24 de agosto e, a partir daí, correram 10 dias de prazo legal para que a empresa se manifestasse. O que não aconteceu. O próximo passo agora é entrar com uma ação indenizatória contra a IBEP, que se imagina acima da Lei. Há uma série de papéis que preciso reunir enquanto meu advogado elabora o processo. Vamos ver até quando a IBEP vai continuar ignorando. É decepcionante ver uma editora grande e renomada como a IBEP com uma postura tão vergonhosa.



O caso será devidamente relatado no blog na medida em que novidades forem aparecendo. Caso a editora queira se manifestar, o espaço também está aberto. 

ATUALIZAÇÃO (24/09/09): Aconteceu ontem uma reunião na IBEP onde foi firmado um acordo interessante para mim que deverá pôr fim ao caso. Logo publicarei um esclarecimento sobre o caso e divulgarei as conclusões.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

DIVULGAÇÃO X TRABALHO

Trabalhar por divulgação é uma das maiores roubadas e são pouquíssimos casos em que essa relação se revelou vantajosa. Em geral, a vantagem é sempre para quem vem fazer a proposta.

Quando alguém age empresarialmente e monta uma empreitada, seja uma confecção, editora, uma fábrica ou até um evento, faz uma planilha de custos. Vai pagar instalações, mão-de-obra, segurança, materiais, infra-estrutura, uniformes, sei lá. Vai cotar preços e fechar acordos e parcerias comerciais. E na hora de ver o ilustrador, designer ou desenhista, vai oferecer divulgação para ter o trabalho. Por quê não tem coragem de perguntar à empresa de segurança se pode mandar pessoas capacitadas em troca de poderem distribuir cartões da empresa? Ou por quê não pergunta aos faxineiros se podem limpar de graça pra ver se conseguem alguma casa pra fazer faxina entre os clientes?

O pensamento que vem é mais ou menos este: "Ah, mas artista não deve se preocupar com dinheiro, essas coisas. Pra esses basta divulgar muito e rezar para que o próximo cliente pague bem, porque eu não vou gastar e ainda vou ajudar esse coitado a ter seu nome conhecido por mais pessoas. Ele tem é que me agradecer."

Sempre lembro de um espertinho assessor de um político ambicioso que queria me convencer a ilustrar de graça para o cara. Primeiro, porque "seria um desafio pra mim" (isso é papo motivacional bem rasteiro...) e depois porque "seria fantástico saber que o desenho estaria circulando pela cidade em camisetas e adesivos de carro". Grande m*****. Alguém vê o desenho e pensa: "Oh, que desenho legal, vou perguntar quem fez e pedir pra fazer um pra minha camiseta. Se for por 10 reais, melhor ainda." Até parece...

Quem contrata serviços podendo pagar preços de mercado tem rede de contatos profissionais e não sai anotando nome de desenhista porque viu um desenho num folheto. Vai se informar e ver se é profissional ou "quebra-galhos", um pára-quedista sem grandes comprometimentos com o ofício. 


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SÓ POR DINHEIRO? TAMBÉM NÃO...


Não pense que eu chego ao extremo de dizer que não faço nada se não for pra receber. Há casos e casos.
Já colaborei com ONGs e já forneci desenhos para entidades filantrópicas sérias, igrejas e até um templo budista.

Uma entidade assistencial até perguntou humildemente quanto eu cobraria pra desenhar para uma camiseta deles. Preferi fazer o trabalho como doação mesmo, após tomar conhecimento das condições em que trabalhavam. E entrei na empreitada do álbum Mangá Tropical mesmo sabendo que ia render pouca grana e dar muita dor de cabeça movido por amor à arte. E apesar de ultimamente só ter aceito convites para palestras em troca de cachê, já falei muito pra ajudar eventos de conhecidos ou para promover algum trabalho que estava lançando.

Afinal, foi por gostar de desenhar e escrever que entrei nessa área. E fiz muito laboratório de palestras em eventos mais descomprometidos até ter segurança para cobrar pelo que eu digo e da forma como apresento.

Já fiz e faço coisas motivado por inspiração artística e por amizade, o que é bem diferente de atender a uma solicitação profissional de graça. Se o próprio artista não se valorizar enquanto profissional, não deve esperar que os outros façam isso por ele.


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UM BRILHANTE DEPOIMENTO DE HARLAN ELLISON

O ilustrador Montalvo Machado publicou com legendas em seu blog um trecho de uma entrevista do escritor Harlan Ellison onde ele esculhamba com essa mentalidade de fazer algo "só pra divulgar". Vale a pena assistir:

- Depoimento de Harlan Ellison


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Um pensamento de certos empresários ao olharem para um artista:
"Com seu talento e minha esperteza, você vai ficar famoso e eu vou ficar RICO!"


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

DANDO AQUELA FORÇA

Vira e mexe, chega alguém pedindo pra cobrar um preço camarada, que está querendo "dar uma força" pra gente. Em contrapartida, pedem que a gente "dê uma força pra eles" fazendo um trabalho profissional a baixos valores ou de graça. Depois chega um cliente de pequeno porte dizendo, "Não vai cobrar caro de mim porque minha firma é pequena, não é igual àquele cliente grande que você tem." Que, por acaso, pediu pra cobrar barato pra dar a tal força. Com que moral a pessoa que começa cobrando errado vai conseguir subir valores um dia?

Um amigo sempre diz que "quem faz preço de amigo, não faz serviço de amigo." Claro que negociar faz parte do jogo e há momentos em que pesa a amizade para se firmar um trabalho, mas nunca pode ser desvantajoso para ninguém, senão a amizade fica comprometida. O melhor é ser profissional.

Para quem é prestador de serviços, a situação em geral não é muito bem compreendida. Se um cara é dono de um pequeno mercado, nenhum conhecido ou parente tem coragem de chegar e falar "Deixa eu levar 1 kg de carne moída e uns pacotes de macarrão? Faz de graça ou um precinho bem em conta pra mim, vai, que eu falo bem de você por aí."

Já perante um desenhista, fica sempre aquele pensamento: "Pô, o que custa ele fazer um desenhinho pra mim? Tá sem fazer nada agora..."

Morar com os pais realmente impede que muita gente se preocupe com essas coisas mundanas. Ou o artista em questão tem um emprego fixo, que permite encarar todo o resto como "bico". Mas até um bico tem sua função e parece que a maioria dos artistas não se preocupa com isso. Daí, quem corre atrás e fica cobrando posição acaba parecendo o mercenário que muitas vezes irrita o contratante ou o funcionário que tem que responder pelo seu pagamento. Que por acaso tem seu salário, independente do que aconteça.

Se muita gente subvaloriza o trabalho artístico, é porque muitos artistas não se comportam profissionalmente na hora de receber o pagamento que, sempre digo, é uma das minhas partes favoritas em um trabalho. E não me envergonho de dizer isso.

Profissionalismo é uma via de mão dupla: de um lado, você cumpre uma tarefa no prazo e com a qualidade que o cliente precisa e, do outro, espera que o pagamento acordado e agendado seja recebido na data estipulada.Muitos clientes não esquentam a cabeça com isso porque muitos artista
s, infelizmente, não ligam muito para o próprio bolso ou têm vergonha de ficar cobrando algo que é seu por direito.


Amanhã, um texto sobre as armadilhas do trabalho em troca de divulgação.


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O tema de valorização do trabalho artístico é tema recorrente neste blog. Se perdeu, leia também:

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

CRITICANDO O MERCADO DE HQ!

Falar sobre mercado de trabalho é um assunto recorrente para mim e rende longas conversas com alguns bons amigos da área. A questão que sempre colocamos é: o mercado de HQs atravessa um momento negro como atividade profissional.

Não estou falando sobre publicações ou divulgação. A internet propicia um meio democrático de divulgação e publicação virtual de trabalhos de qualquer um. Isso é indiscutível e tem permitido a muita gente expressar e divulgar sua arte como nunca acontecera antes.

No meio impresso, a grande proliferação de álbuns nacionais (notadamente com temas históricos ou adaptações literárias) e revistas independentes ganha espaço na mídia especializada e cria a ilusão de que vivemos uma era de ouro. Algumas andorinhas não fazem um verão. Há álbuns comercialmente bem sucedidos, mas ainda é cedo para indicar esse tipo de trabalho como o ganha-pão de muitos autores.

Estou um pouco cansado de ler gente inteligente dizendo asneiras sobre como o mercado de HQ no Brasil vive um momento fantástico. Pode ter alguns sinais promissores aqui e acolá, mas falta muita coisa pra ser viável economicamente pra quem faz. O mercado local só está fantástico pra quem não tem a pretensão de viver escrevendo ou desenhando histórias (ou colorindo, finalizando), fazendo isso em paralelo com outras atividades. E fantástico para quem é leitor e tem dinheiro pra gastar, pois HQ no Brasil virou um produto elitizado, fruto de um mercado na verdade fraco, que aposta no poder de compra de um número cada vez menor de leitores. Muito longe da imagem antiga do gibi como diversão popular. HQ agora é pra iniciados.

Analisando o aspecto criativo, vivemos tempos interessantes mesmo. Ecos das cultuadas séries "Love & Rockets" e "Estranhos no Paraíso" povoam muitas páginas de publicações alternativas ou independentes, mostrando que HQs de cotidiano têm força e algum público. E também super-heróis nacionais encontram espaço no mundo alternativo, alguns bastante nacionalistas e até com alguma xenofobia, por mais estranho que isso possa soar vindo de quem se inspira em modelos criativos estadunidenses.

Mas o mercado alternativo tem gerado, como já comentei no Twitter, vários "popstars" que vendem 500 exemplares em lojas especializadas - o que é ridículo em um mercado que já teve gibis nacionais vendendo milhares de exemplares em bancas. Como comentou o Nick Farewell, também no Twitter, o mercado de HQ independente é um mercado de subsistência. Quem compra é quem também faz. E não deveria ser tão limitado.

Veja bem: eu apoio totalmente a existência de um mercado alternativo e independente, que permita trabalhos autorais e experimentações. Eu mesmo venho tentando produzir algo assim. E muitos independentes não querem ficar à margem do mercado, querem buscar públicos cada vez maiores para fazer a transição para o quadrinho de alcance mais popular. O problema é que esse mercado repleto de publicações (entre álbuns, fanzines, fotologs, revistas independentes e afins) está sendo compreendido de forma equivocada. Mercado de publicações de quadrinhos é algo diferente de mercado de trabalho para quadrinhistas. Há muitos títulos, mas basta perguntar se esses autores estão tirando seu sustento dessas HQs ou se o dinheiro deles vem de outras fontes, como ilustração publicitária, aulas ou até um emprego fixo formal. Em geral, os que realmente vivem de HQ ou produzem para o Mauricio de Sousa ou trabalham para o mercado dos EUA. As opções são poucas.

Para os editores, tem sido, como sempre foi, um bom negócio publicar HQs traduzidas. Material japonês, estadunidense e coreano lota as bancas e lojas especializadas, ajudando naturalmente a sufocar a incipiente produção nacional que, em termos de mercado, se resume à Turma da Mônica e a algumas empreitadas isoladas. Eventualmente, Ziraldo ou algum outro, como Luluzinha Teen. Mas fica muito difícil competir em igualdade com o volume de produção e qualidade que vem de fora, pois ele já foi muito testado e aperfeiçoado em outras condições de mercado mais favoráveis ao desenvolvimento profissional.

Sou contra reservas de mercado, mas alguns incentivos fiscais do governo seriam bem vindas. Comprar álbuns de autores nacionais para suprir bibliotecas claro que é interessante, mas isso vai criando algumas amarras criativas, pois muita coisa acaba sendo feita para ser comprada pelo governo, e não para ser oferecida ao mercado.

Muitos autores de HQ que têm aparecido são também ilustradores publicitários. Basta perguntar a qualquer um deles se teria condições de largar tudo para se dedicar integralmente a produzir quadrinhos visando o mercado de bancas, se sujeitando aos preços que a maioria das editoras pode pagar. Lembrando que, se o gibi nacional ficar muito mais caro que o traduzido, aí é que a competição fica ainda pior para o lado mais fraco. Com tudo isso, fica realmente difícil formar uma geração de autores. Eu mesmo não posso largar minhas atividades profissionais para uma empreitada visando bancas. Já fiz muito disso quando era mais jovem e me preocupava mais com realização pessoal do que sobrevivência.

Uma vez, fui entrevistado por uma jornalista japonesa que me perguntou o que poderia ser feito para que os personagens japoneses fossem ainda mais populares no Brasil. Minha resposta talvez a tenha decepcionado. Eu disse que ao invés disso, preferia que os autores e editores daqui fizessem como os do Japão, valorizando mais a produção nacional e buscando uma maior identificação com o público local.

Ou seja, eu quero um mercado de trabalho para quadrinhistas. Um mercado de trabalho realista, sério, competitivo, desafiador, com menos oba-oba e mais volume de produção.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

TOSSINDO FEITO UM SUÍNO!

A pior fase da epidemia de gripe suína talvez esteja mesmo passando, mas é agora que as pessoas não podem bobear. E bobeada é o que não falta nesta nossa terrinha.

Estou cansado de ver caixas de loja mexendo com dinheiro e molhando o dedo na boca pra abrir saquinhos plásticos ou contar o dinheiro. Mas isso não é nada perto de algumas coisas que a gente vê por aí.
Numa reunião, chegou uma participante tossindo e assoando o nariz. Não bastasse ter ido ao invés de ficar em casa, chegou dando beijinho no rosto de todo mundo e avisando que era "só gripe comum". Deu vontade de falar "O que faz você pensar que alguém aqui gosta de pegar gripe comum ou algum tipo de gripe???" Já a mulher saudável e prevenida que chegou acenando geral e dizendo "Um oi de longe por causa da gripe." teve que ouvir "Credo, você tá com gripe suína??". É f***...

Não basta tomar cuidado, tem que rezar para que algum imbecil não faça um estrago na sua vida. E o povo continua marcando festas, tossindo e espirrando sem cobrir a boca, dividindo copos e distribuindo selinhos.

Fora os médicos despreparados que, na falta de uma infra-estrutura, orientação e responsabilidade, quase sempre dizem primeiro que é uma gripe comum. Por conta de tais situações, o Brasil é recordista em mortes pela gripe H1N1. É isso.

UM PROTESTO (MUSICAL) CONTRA O DESCASO

Companhias aéreas nunca assumem responsabilidade sobre a segurança de sua bagagem. Mais de uma vez, funcionários já arrombaram malas minhas em busca de valores e até já roubaram um perfume. Já tive que arrombar minha própria mala uma vez porque tentaram forçar o cadeado da mala e ficou um arame preso lá dentro. Já fui alertado por funcionários a não deixar máquina fotográfica ou aparelhos eletrônicos dentro das malas e levar elas junto ao corpo pra evitar furtos. As empresas sempre avisam que não assumem a responsabilidade sobre nada das bagagens, o que é um erro enorme, pois eles te obrigam a entregar bagagens de olhos fechados.

Por quê não colocam câmeras de vigilância e instituem uma política de normas de qualidade no transporte de bagagens? Só falta dizerem: "Olha, ninguém mandou voar com a gente. Nós entregamos mesmo suas bagagens pra gente de pouca confiabilidade e avisamos vocês. Agora é azar seu." Na correria, as pessoas vão deixando pra lá.

Contra toda essa vergonha e descaso, eis um link abaixo para um clipe- protesto brilhante de um músico que teve seu valioso violão destruído por funcionários da United Airlines. No embalo, alguém podia criar uma música pra Telefonica...

- United, você quebrou meu violão!!!

(Essa dica de vídeo foi enviada pelo cartunista Cláudio de Oliveira e reacendeu meu antigo desejo de fazer uma postagem sobre esse assunto. Valeu!)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

QUADRINHOS INSTITUCIONAIS - UM CASO DE SUCESSO

Vou relatar aqui um exemplo bem-sucedido do uso de quadrinhos como ferramenta de comunicação em uma empresa.

No final do ano passado, fui contatado para renovar o uso de folhetos informativos de uma empresa administadora de cartões de crédito, a Fidelity. Com a linguagem dos quadrinhos, deveria passar uma série de informações de conduta e procedimentos aos funcionários, com alguns itens bastante problemáticos. Eu já havia feito trabalhos similares com o Pão de Açúcar, Santander Banespa, Votorantim e muitos outros clientes, e o desafio aqui era dar uma nova cara à comunicação interna. E fazer ela funcionar melhor.

O projeto inicial visava experimentar o uso de quadrinhos como ferramenta de comunicação através de 3 ou 4 folhetos. De um lado, uma HQ de uma página com um tema estabelecido. Do outro, uma ilustração com os personagens falando a mensagem principal do tema relacionado. A mesma arte seria ampliada como um cartaz para ser afixado na empresa.

A receptividade foi boa logo de cara. Houve, é verdade, uma ou outra manifestação de desagrado por achar o recurso infantil, mas logo o formato foi bem aceito. Com isso, mensagens antes difíceis de serem assimiladas (porque os folhetos explicativos mal eram lidos), passaram a ser incorporadas ao dia-a-dia da empresa, com bons resultados. Estava sendo provado, mais uma vez, que os quadrinhos representam uma eficiente ferramenta de comunicação, para públicos de qualquer idade e formação.

Criei um núcleo de personagens que iria conduzir as histórias. Houve críticas iniciais com relação às roupas da garota protagonista, que parecia excessivamente informal e até meio desleixada. Já na segunda edição, ela passou por um "banho de loja" e ficou mais elegante, sem perder o jeito simples.

Depois, uma pesquisa foi feita para se medir a aceitação dos personagens. Essa mesma personagem feminina, que eu havia criado para ser aquela que aponta os problemas e sugere ações, acabou não agradando. Por ser muito "caxias", ela acabou ganhando a antipatia de muita gente. É o mesmo motivo que inspira muitos detratores do Mickey Mouse e do Superman. O que é certinho demais acaba criando antipatia.

Acabei brincando com isso, fazendo a personagem dar uns escorregões e ouvir gozações por seu jeito meio tagarela e intrometido. Já um personagem que eu havia criado mais para ser "escada", ou seja, aquele cara mais normal que acaba servindo para que outros com mais atitude apareçam, acabou eleito como o mais simpático e aquele com quem o pessoal mais se identificava. Joguei ele para a linha de frente. E um outro protagonista, de jeito bem descontraído e tirador de sarro, eu havia criado para ser alguém com quem o pessoal se identificaria, com seus defeitos e virtudes. Esse personagem dividiu opiniões, mas senti que estava no caminho certo, e apenas o deixei mais responsável e sentindo mais os efeitos de seu jeito meio desmiolado. O retorno dos leitores permitiu correções de rumo, aumentando ainda mais o poder de comunicação do projeto.

Ao invés de apenas 4, foram feitos 6 folhetos em HQ, mais um calendário de mesa ilustrado com os personagens e com frases ligadas aos temas apresentados, um outro cartaz independente e aí o projeto mudou de formato. Passou a ser uma folha dobrada, ficando com cara de gibi em formatinho do que de folheto. A HQ passou a ter 2 páginas, ficando ainda uma capa e um verso com recomendações ligadas ao tema da edição. Neste trabalho específico, tenho feito tudo, do roteiro à colorização. Três da nova fase já foram feitos e um quarto está a caminho, mostrando que até no sério e exigente ambiente corporativo, o uso de quadrinhos facilita e fortalece a comunicação.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

ENTREVISTA NA RÁDIO DEKA

Ontem, fui entrevistado no site Rádio Deka ( www.radiodeka.com ), uma rádio virtual voltada aos brasileiros que vivem no Japão e aos curtidores de cultura japonesa no Brasil. O programa era o Rádio Blog, que vai ao ar toda terça às 22h, com apresentação de Rodolfo Zotte e Renato Siqueira, um velho conhecido da área editorial e de eventos.

Antes do programa, fiz as caricaturas dos dois (que devem mostrar no site em breve) e dois cartuns de personagens da rádio. Foi bem divertido e preparou o terreno para a entrevista, na verdade um bate-papo bem-humorado sobre os bastidores do meu trabalho. E contei alguns casos vividos nestes quase 21 anos de estrada, num clima bem descontraído. Falei sobre eventos de caricaturas, caricaturas para convites de casamento, sobre meus quadrinhos de heróis japoneses licenciados nos anos 1990, sobre aulas de desenho e até minha viagem ao Japão no ano passado.

Normalmente dou entrevistas com um tom bem professoral e técnico, mas lá não teve jeito e me diverti bastante. Certamente muita gente pensa que sou bem sério e centrado. E sou, mas também tenho um lado tirador de sarro e bagunceiro que pouco aparece.


Gostei muito da experiência e já fui aceitando voltar lá mais vezes. Ao Renato (vulgo Penpas), ao Rodolfo e à Rádio Deka, meu muito obrigado! E até breve!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

DOIS ESTUDOS DE PERSONAGEM

Estes dois sketches são estudos de personagens para uma HQ curta que logo vou começar a esboçar. O roteiro não é meu, e sim do Nick Farewell, com quem já dividi uma HQ-poema faz um tempo, além de alguns trabalhos profissionais.

Tenho buscado parcerias para produzir algum material mais descompromissado e autoral e estou mais interessado (no momento) em me concentrar na arte. Sou mais reconhecido como roteirista de HQ (por conta de muitos trabalhos publicados nos anos 1990) e quero equilibrar um pouco mais as coisas. Claro que a produção dessa HQ pode demorar se minha agenda de trabalhos se apertar demais, mas tenho sentido muita falta de fazer um trabalho mais autoral no traço. Por isso, vou tentar arranjar tempo de todo jeito e, se não tiver ninguém interessado em publicar, posto aqui mesmo no blog.

Querer produzir quadrinhos foi a motivação básica para que eu quisesse ser um desenhista profissional e quero voltar a fazer das HQs uma parte importante da minha vida e motivação artística. Espero ter novidades para mostrar em breve.


quinta-feira, 13 de agosto de 2009

COMUNICADO: WORKSHOPS DE ROTEIRO ADIADAS - EFEITOS DA GRIPE SUÍNA

Para os dias 15 e 22 próximos, eu havia agendado workshops de roteiro no Instituto Cláudio Ayabe, atividades divulgadas via Twitter e prestigiados sites de quadrinhos e cultura pop. Porém, em vista do aumento alarmante de casos de Gripe Suína e das recomendações de médicos para que se evitem lugares fechados e aglomerações, optamos por adiar as atividades. No Instituto ocorrem regularmente cursos e workshops envolvendo oratória, memorização, dançaterapia, PNL e outros assuntos. É um espaço de cultura e desenvolvimento pessoal do qual eu tenho muito orgulho de ser colaborador.

No sábado haveria uma maratona de atividades e todas foram adiadas para uma data futura a ser estabelecida. Os que já haviam pago receberão seu dinheiro de volta, normalmente.

O tempo agora é realmente de alerta e responsabilidade. Por mais cuidados que se tomem, muitas vezes a pessoa parece sadia mas está com o vírus da Gripe Suína incubando em seu organismo. Sem saber, acaba transmitindo aos outros através de apertos de mão, beijos no rosto e conversas próximas. Isso acabou afetando muitas pessoas que tinham intenção de fazer as workshops mas tinham receio de ficar numa sala fechada com um grupo de pessoas. Nunca se sabe quem pode transmitir.

Também é certo que o pico do número de casos diminua quando chegar pra valer o calor da primavera e do verão. Mas por ora, acreditamos ter feito o certo, com responsabilidade e respeito.

Muito obrigado a todos que têm apoiado e divulgado minhas atividades. Logo, espero que tudo se normalize. É isso.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

ENTREVISTA: RICARDO CRUZ (JAM PROJECT)

O tradutor, jornalista, editor e cantor Ricardo Cruz é um paulista de 27 anos e um velho amigo na área de cultura pop japonesa. Ele foi meu leitor através da antiga revista Herói, mas logo nos tornamos colegas de trabalho, dividindo alguns projetos bem divertidos. Também vivíamos indo em karaokês e até cantamos juntos em alguns eventos, mas seu talento e incontestável vocação musical o levaram para onde fã algum jamais havia sonhado. Através de um concurso internacional, entrou para uma das mais importantes bandas do cenário das anime songs, cantando ao lado de seus ídolos. Já gravou canções e fez muitos shows com o já lendário JAM Project.

Cantor consagrado nos eventos de animê pelo Brasil, já se apresentou também na Argentina e, claro, no Japão. Em 2007, assinou o prefácio do meu livro, o Almanaque da Cultura Pop Japonesa. Sempre mantemos contato pela internet, mas nos encontramos em Fortaleza (CE), durante o evento SANA 2009, o qual narrei há alguns dias. E agora, arranjou um tempinho em sua agenda lotada para responder a algumas perguntas rápidas.

Enquanto curte a entrevista, ouça a canção "Sempre sonhando", que é cantada em japonês, tem refrão em português e foi escrita em conjunto pelo Ricardo e pelo grande Hironobu Kageyama. Com vocês, Ricardo Cruz!


Sempre Sonhando - JAM Project

Nagado: Como começou seu interesse por seriados japoneses?
Cruz: Com Jaspion e Changeman, como muita gente. Via sem parar: alugava os mesmos episódios em VHS, gravava da TV... Acompanhei até as séries sairem da programação, mas me interessei por Cavaleiros do Zodíaco em seguida (1994, talvez?), passando a colecionar qualquer coisa relacionada a desenhos e quadrinhos japoneses. Em 96, com uns 14 anos, fui passear no bairro da Liberdade e conheci uma locadora de vídeos japoneses, a Casa Ono. Lá, encontrei a série de super sentai vigente na época: Carranger, que passei a alugar todas as semanas. Desde então, nunca mais parei de acompanhar os tokusatsu, principalmente.

Nagado: E as anime songs? Como entraram na sua vida?
Cruz: Depois que fui morar no Japão, em 99. Lá é muito comum os estudantes saírem do colégio e darem uma passada num karaokê box. O que mais me empolgou foi descobrir na lista de músicas estavam todos os temas das séries e desenhos que eu sempre gostei. Virei frequentador assíduo!

Nagado: O JAM Project possui uma complexa arquitetura sonora no arranjo de coral. Há um elaborado trabalho de harmonia vocal envolvendo vários cantores de personalidade forte e autoral. Quem organiza isso tudo?
Cruz: Depende da música. Como é o Kageyama quem compõem a maioria das músicas é ele quem constrói os coros. Mas todos, na hora da gravação, dão seus pitacos e ideias.

Nagado: E como você se encaixa na harmonia? Você deve alinhar sua voz com algum integrante específico ou depende da música?
Cruz:
Como meu registro vocal é mais confortável nas notas agudas, faço as partes altas das harmonias, mas nem sempre. Depende da música. Costumo regular com o Masaaki Endoh, que também tem um alcance alto.

Nagado: Quais seus artistas e bandas favoritos? Vale de qualquer país, de todos os tempos.
Cruz:
O Hironobu Kageyama toca no meu toca-fitas desde sempre, hehehe! Admiro muito seu trabalho e sinto um grande orgulho de dividir o palco com ele hoje. Sou fanzão do Masaaki Endoh também. A lista é longa: Eric Martin, Bon Jovi, Stevie Wonder... Ouço de tudo. Esses dias comprei um DVD do Chitãzinho e Xororó e da Ivete Sangalo. No Japão, achei coisas do Bon Jovi e do AC/DC que estava procurando faz tempo. E, claro, Michael Jackson.

Nagado: Como você reagiu à notícia da morte de Michael Jackson?
Cruz: Fiquei muito triste, de verdade. O Michael Jackson foi o artista que despertou meu interesse por música. Gravava todos os clipes e shows dele. Quando era moleque, tinha uma sessão em casa com as fitas dos heróis japoneses e outra com as do Michael. Aprendi minhas primeiras nocões de ritmo, harmonias e linguagem corporal com ele. Eu acredito que nenhum artista na história foi tão completo e tão bom quanto Michael Jackson. Alguém uma vez comentou e eu concordo: "Billie Jean" é a melhor música do século XX!

Nagado: A canção "Sempre sonhando" (do álbum Get Over the Border, de 2008) marcou sua estréia como compositor. Como surgiu a ideia de fazer essa música?
Cruz: Surgiu dá contade de expressar algumas ideias em que sempre acreditei. Como o JAM estava lançando um álbum novo, com espaço para canções inéditas, decidimos fazer essa faixa, que foi muito bem aceita entre os fãs no Japão. Isso me deixou bastante feliz. De certa forma, é a minha história que conto ali, quer dizer, o começo dela.

Nagado: Para o sistema fonético japonês, pronunciar a palavra "sonhando" é um tanto complicado. Foi difícil para o resto do JAM gravar o refrão?
Cruz:
Acho que foi sim. Um dia, de madrugada, o Kageyama me liga deseperado pedindo para eu ensinar de novo como pronuncia "sonhando". Os cinco estavam dentro do estúdio gravando, mas ninguém estava conseguindo acertar. Foi bem hilário.

Nagado: Como foi a receptividade do público japonês com sua estreia na banda?
Cruz: A melhor possível. O público do Japão dá a maior força para os artistas de quem são fãs. Levam presentes o tempo todo, escrevem cartas, criam comunidades, querem que você cresça como artista. É muito interessante e gratificante.

Nagado: Quando o JAM Project surgiu, você imediatamente se tornou um grande fã deles, por reunir cantores que você já curtia. Anos depois, você faz parte do grupo. Tem horas em que você se belisca pra saber se está sonhando?
Cruz: Sim, claro. O tempo todo. Esses dias vi no Youtube um video do show recente do Mr. Big no Budokan. Eles apareciam descendo do camarim até o palco, pelo mesmo trajeto que eu fiz no dia do show do JAM. Pensei: "porra, tenho só quatro anos de carreira e já toquei no Budokan!". É meio surreal sim, mas também é um grande aprendizado, que me dá diversas oportunidades importantes.

Nagado: Fora do mundo da cultura pop japonesa, você tem a revista SAX. Como surgiu o projeto e como ele está andando?
Cruz: Fui convidado no começo do ano para fazer a revista. O projeto é mais antigo. A revista fala sobre cultura em geral, com uma caída maior pelas artes. Está sendo ótimo trabalhar na SAX, a edição mais recente chegou agora às bancas. Também estou me preparando para editar a versão brasileira da revista inglesa MixMag, sobre música eletrônica.

Nagado: Ricardo, obrigado pela entrevista. Gostaria de deixar uma mensagem aos leitores?
Cruz: Obrigado pela força aos que me acompanham. Conto sempre com vocês. E convido quem quiser conhecer mais das minhas ideias e trabalhos a visitar meu blog, atualmente um tanto desatualizado, é verdade, mas jamais morto! ^^

Blog do Ricardo Cruz: http://ricacruz.wordpress.com

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

NOVA ILUSTRAÇÃO PARA O INSTITUTO GABI

Aqui, uma das novas ilustrações institucionais que produzi como voluntário para a ONG Instituto Gabi. Inicialmente, estava planejando mudar o design da figura, puxando mais para o lado do mangá. Mas mudei de ideia e acabei mantendo o traço original que havia criado. Esse trabalho mostra meu desenho mais autoral, que é influenciado por mangá, mas não totalmente (ao menos, na minha concepção).
Enquanto isso, a entidade continua com seu valoroso trabalho de apoio a pessoas com deficiência e suas famílias. Conheça o Instituto Gabi e veja como pode ajudar.

www.institutogabi.org.br